Stargazing!
Lista dos objetos que eu lembro de ter visto na minha primeira saída de campo com o grupo de Nevoeiro (lista, blog):
- Pequena Nuvem de Magalhães
- Grande Nuvem de Magalhães
- Andrômeda
- Nebulosa do Caranguejo
- Nebulosa de Órion
- Omega Centauri
- Saco de Carvão
- Caixa de Jóias
- Aglomerado do Presépio
- Via Láctea
- Saturno (com seus anéis alinhados com a Terra)
- Vênus (em uma de suas fases)
- Plêiades
- Eta Carinae
Além disso pudemos ver a passagem de vários satélites artificiais e meteoros que cruzaram das 3:00h até o amanhecer. Foi a primeira vez que vi boa parte destes objetos e fiquei impressionado com a beleza de Eta Carinae e com a grandiosidade das Nuvens de Magalhães.
Foi uma aula e tanto e desde que voltei estou folheando e lendo um livro de astronomia. Sem falar que o cheiro de bosta de vaca limpa o pulmão de qualquer piá de prédio como eu.
Natal sem pães em Gaza
O artigo a seguir foi traduzido, sem autorização, do The Electronic Intifada, um importante portal de notícias sobre o conflito Israel-Palestina. se você preferir, leia o artigo original, em inglês.
A Faixa de Gaza, lar de mais de 1.5 milhões de palestinos, logo ficará sem um dos seus produtos mais essenciais: o pão. Enquanto as famílias no mundo todo celebram o natal, reunindo-se ao redor de uma mesa farta, os pais de Gaza, como eu, não poderão oferecer pão para os seus filhos, a não ser que Israel abra as barreiras comerciais.
Ontem, depois de terminar minha palestra em uma das universidades de Gaza, minha esposa me pediu para comprar alguns pães na cidade de Gaza. Todas as panificadoras da nossa área pararam de trabalhar por causa da falta de farinha de trigo e gás de cozinha, graças ao cerco israelense em nosso território que já dura 18 meses.
Eu dirigi pela cidade de Gaza tentando encontrar alguns pães para as minhas quatro crianças, mas acabei encontrando uma cena miserável. Na volta para minha casa no campo de refugiados Maghazi, que fica no centro da Faixa de Gaza, eu vi dezenas de pessoas fazendo fila para conseguir alguns pães na Padaria al-Yazji. Eu logo percebi que levaria uma ou duas horas até que chegasse a minha vez na fila, e neste tempo o pão já teria acabado. Então eu segui para casa, sem pães.
“Pai, nós queremos comer, nós não temos pães,” reclamou a minha filha mais velha. Eu parei por um instante e então pedi para o meu filho Munir trazer alguns sanduíches de falafel — nossa fast food — para podermos preencher rapidamente o espaço vazio em nossos estômagos. Felizmente, depois de um tempo o Munir voltou trazendo os sanduíches, comprados a um preço alto.
Enquanto comíamos, a minha esposa me pediu para dirigir bem cedo até a cidade de Gaza no dia seguinte para tentar comprar alguns pães. Imagine que hoje em Gaza, comprar um simples pacote de pães envolve ter que acordar de madrugada, comprar um galão de gasolina a um preço muito elevado, já que a gasolina está sendo contrabandeada do Egito, e perder duas ou três horas para conseguir comprar os pães! Claro que este transtorno não torna a minha família especial. Esta é a história de todas as famílias em Gaza que tentam sobreviver no meio desta crise humanitária criada por Israel.
De acordo com Abdel Naser al-Ajrami, presidente da associação de padeiros em Gaza, mais de 27 panificadoras, de um total de 47 na cidade de Gaza, estão fechadas por causa da falta de gás de cozinha e farinha de trigo, já que as fronteiras comerciais estão fechadas, por ordem de Israel, por quase dois meses agora. Al-Ajrami explicou ontem que uma quantidade suficiente destes produtos será distribuída para as panificadoras nos próximos três dias, adicionando que os oficiais do Hamas têm feito grandes esforços para garantir que a quantidade necessária de gás e farinha de trigo possa ser entregue em Gaza.
No dia 18 de dezembro, a Agência das Nações Unidas para Refugiados Palestinos (UNRWA) parou a distribuição de comida para os 750.000 refugiados em Gaza, incluindo a minha família, porque ficaram sem farinha de trigo em seu estoque. De acordo com o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), Israel permite que apenas 16 caminhões com bens por dia entrem em Gaza. Em contraste, 475 caminhões por dia entraram na Faixa de Gaza em maio de 2007 quando a milícia do Hamas tomou o controle da região depois de uma luta com as forças do partido Fatah, do presidente da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas.
Com a aproximação do Ano Novo, fica incerto o que teremos nos armazéns de Gaza já que um acordo de cessar-fogo de seis meses entre Israel e os grupos de resistência da Palestina terminou no começo desta semana. Em resposta à prisões e mortes extrajudiciais de palestinos pelas forças israelenses, os grupos de resistência de Gaza lançaram novamente foguetes contra o sul de Israel. Com a aproximação das eleições em Israel, o destino de famílias como a minha torna-se interesse da retórica política, cada candidato tentando fazer o seu melhor nas promessas de danos contra as nossas vidas. Gaza continua sendo a maior prisão à céu aberto do mundo. Entretanto, diferente de outras prisões, aqui é permitido que os internos passem fome. Enquanto isto, os carcereiros israelenses continuam sem a devida punição dos Estados Unidos e da União Européia pelos seus crimes.
Rami Almeghari é contribuidor da The Electronic Intifada, IMEMC.org e Free Speech Radio News. Rami é também tradutor senior de inglês e editor-chefe do centro de notícias internacionais em Gaza do Serviço de Informação Palestino e professor sobre tradução política e midiática na Universidade Islâmica de Gaza. Ele pode ser contatado através do e-mail rami_almeghari A T hotmail D O T com.
Cape Town - parte 3 e final
O terceiro em dia em Cape Town começou com a Pravanya e o Kapil nos dando uma carona até o V&A Waterfront, onde tomaríamos café, visitaríamos o Two Oceans Aquarium e, às 13h, faríamos nossa tão esperada visita à Robben Island.
Depois do nosso desjejum-super-pomposo-com-frutas-frescas-frescas-frescas, matamos um tempinho olhando alguns artesanatos e, quando percebemos, já era hora de visitar o aquário.
A entrada para adultos custa 80 rands (8USD) e vale cada centavo. Há uma variedade grande de espécies de peixes, desde baiacús e linguados até tubarões e arraias enormes, além de plantas, anêmonas, ouriços, sapos, cavalos-marinhos, etc.
Usamos a manhã toda dentro do aquário. Depois da visita deixamos de almoçar porque achamos que não daria tempo de pegarmos o barco para a Robben Island.
Chegando no Nelson Mandela Gateway recebemos a notícia que nos deixou frustrado: todas as viagens até a ilha foram canceladas naquela quarta-feira por causa dos ventos fortes. Já que este era o nosso último dia na cidade, só restava enfrentar a fila para pedir o reembolso dos bilhetes.
Depois de quase uma hora na fila, andávamos pelo Waterfront sem saber o que fazer e, de repente, o Ariel vê um veleiro com saída em 5 minutos. Pagamos nossos 120 rands de cada, embarcamos e fomos dar um passeio de uma hora e meia pela baía.
Algumas horas depois já estávamos com os nossos hosts indo para a Hout Bay, onde jantamos, tiramos nossa foto de Couch Surfers para a Pravanya adicionar ao Hall of Fame na porta da geladeira dela e conhecemos as francesas mais simpáticas das nossas vidas: The Soap Girls (website, YouTube).
Elas são muito divertidas, falam a mesma coisa ao mesmo tempo, como todas gêmeas deveriam, e é provavelmente a melhor propaganda de sabonetes artesanais que você vai ver na vida. Se um dia eu comprar uma casa colorida em Bo Kaap, só vou usar os sabonetes das Soap Girls.
Cape Town - parte 2
Hoje tivemos outro dia excelente. Saímos de casa com um plano (Green Point Flea Market e Simon’s Town), mas logo depois do café resolvemos mudar tudo. Foi a nossa melhor decisão.
Pegamos um trem às 8h até SImon’s Town e depois um táxi até um dos nossos destinos mais cobiçados: o Cabo da Boa Esperança. A vista de lá é simplesmente fantástica e foi muito legal estar em um lugar sempre comentado nas aulas de História.
Lá é possível conhecer os locais onde Vasco da Gama e Bartolomeu Dias morreram, as pedras contra as quais vários navios se chocaram, o farol antigo que foi desativado por ser facilmente encoberto por neblina, o farol novo construído para substituir o anterior, babuínos, pássaros, uma loja cheia de artigos para turistas e muita beleza natural. Em uma das placas com informações sobre o local,li que o ar naquele ponto é considerado o mais limpo do continente africano.
Gastamos mais de duas horas visitando o local e caminhando pelas trilhas para chegar até o último ponto permitido para turistas. O vento lá é bastante forte e eu confesso que fiquei com “receio” de atravessar um certo trecho. Ainda mais que um turista me disse antes que era muito arriscado. Mas foi só dar os primeiros passos para perceber que era besteira. Não tem nada de perigoso. É possível lidar o vento forte se segurando nas cordas ao longo deste trecho.
Foi um passeio excelente, mas acabamos demorando mais do que o previsto e o motorista que estava esperando por nós não gostou muito. Não demorou nem três minutos depois de nos ver para pedir um dinheiro extra. Em “troca” ele nos levou até a Boulder’s Bay, onde tiramos fotos de alguns pingüins.
Na volta para Simon’s Town pedimos para ficar um pouco antes da estação de trem e saímos passear pela cidade. Visitamos o museu naval, que tem um acervo muito bacana, incluindo objetos da Primeira e Segunda Guerra Mundial. Fizemos um lanche em uma cafeteria (cara, porém boa) e depois voltamos para a cidade. Chegamos em Cape Town quase 17h e fomos comprar alguns souvenirs no Green Market e depois passear por Bo Kaap, uma espécie de vila com muitos muçulmanos e casas bem coloridas.
Se eu pudesse morar aqui, escolheria Bo Kaap. A região não é cara, é bastante tranqüila, com moradores muito gentis que ficam nas calçadas conversando e fumando narguile e fica muito próximo ao centro de Cape Town.
Depois do dia cheio de hoje voltamos para casa e encontramos um brasileiro no caminho. Ele está estudando inglês aqui durante este mês e, pelo isto, tem aproveitado bastante a vida noturna da cidade. Foi divertido encontrá-lo porque até então não tínhamos visto nenhum brasileiro na cidade.
Amanhã o dia vai ser mais tranqüilo, mas não menos divertido: aquários de manhã e Robben Island às 13h. Infelizmente nosso vôo sai às 5h do dia 9, por isso Robeen Island será o nosso último passeio turístico aqui.
Cape Town - parte 1
Chegamos em Cape Town às 23h de ontem e depois de encontrarmos a Pravanya e o Kapil, couch surfers que estão nos recebendo, já tivemos um pequeno passeio turístico. Ela precisava tirar fotos de alguma paisagem noturna para as aulas de fotografia e para isso fomos até o começo do Lion’s Head, perto da Table Mountain. A vista é muito bonita e o céu também estava espetacular. Vi as plêiades, órion e outras constelações fáceis de reconhecer,
Depois das fotos fomos para a casa deles. Eles são muito bem preparados para receber os couh surfers: diversas brochuras com informações turísticas, um SIM card pré-pago para usarmos (aqui eles custam 1 rand, cerca de 0,25USD), tickets para trem e muita informação. Fomos dormir quase duas horas da manhã com o nosso dia de hoje todo planejado.
Acordamos às 6:30, tomamos banho, café e fomos para a estação de trem pegar para chegar até Cape Town. Lá nós nos perdemos um pouquinho, mas perguntando descobrimos onde pegávamos o tal ônibus para turistas. Por sinal, o ônibus é bastante recomendável se você tiver pouco tempo na cidade para conhecer tudo. O ticket custa 120 rands e você pode usar durante todo o dia, descendo e pegando quantos ônibus precisar neste período. Se comprar ticket para dois dias, eles saem por R200. Os ônibus possuem um andar superior descoberto, informações turísticas gravadas em vários idiomas (incluindo português) e passam nos pontos de vinte em vinte minutos. Além disso, você pode pegar ônibus para as rotas vermelha e azul, cada uma com suas características e atrações.
Nossa primeira parada, como já havíamos combinado desde Luanda, foi a Table Mountain. Chegamos lá por volta das 10h e não fizemos a trilha até o topo. Compramos tickets de ida e volta para o teleférico e, lá em cima, ficamos completamente bobos com a beleza da paisagem.
Depois de tirarmos muitas fotos resolvemos entrar nas trilhas e caminhamos por mais de duas horas. Foi provavelmente uma das coisas mais legais que já fiz. Interessante que eu costumava ter medo de lugares altos, ficava tonto com facilidade, mas aparentemente a África me curou. Estávamos a mais de mil metros de altura e eu não sentia medo quando a trilha passava muito perto da beirada. É um passeio que realmente vale a pena.
Depois de tano esforço físico (sou um sedentário de mão cheia), corremos tomar Powerade, refrigerante e comer uma pizza para enganarmos o estômago até chegarmos em Camp’s Bay, onde almoçaríamos.
A loja de souvenirs da Table Mountain também é muito divertida, mas não comprei nada. Estou economizando para o Green Point Flea Market, onde dizem ter itens bonitos e mais baratos que nos outros lugares.
Camp’s Bay é uma praia muito bonita, de água muito limpa, uma orla enorme e muito bem estruturada e repleta de opções de restaurantes e cafeterias, Há casas muito bonitas na região e, provavelmente, deve ter o metro quadrado mais caro de Cape Town.
Ficamos horas passeando pela praia, fotografando e admirando tudo. A infra-estrutura de Cape Town é perfeita, muito completa e tudo funciona bem. Além disso a cidade é calma e segura. Podemos andar com as câmeras nas mãos, despreocupados.
Para fechar o passeio do dia fomos até o Waterfront, para conhecer e também para tentar reservar um passeio até a Roben Island. Não conseguimos agendar o passeio lá, mas acabamos de fazer isto pela internet. Visitaremos Robben Island na terça-feira, nosso último dia aqui.
Waterfront tem um aquário, que pretendemos visitar amanhã, muito artesanato bonito à venda e vários restaurantes e cafés. Fomos caminhando até a Clocktower e, quando vimos, já eram quase 18:30h. Tínhamos que pegar o último ônibus do dia para voltar para a estação de trem. E o bendito do ônibus não chegava nunca no segundo ponto. Quando já estávamos chateados pensando na grana que gastaríamos com um táxi até o apartamento deles, o telefone do Ariel toca: era a Pravanya dizendo que estava no waterfront e perguntando se queríamos carona.
Minha primeira experiência com o Couch Surfing não poderia ser melhor. Tudo está perfeito. Amanhã teremos mais um dia cheio. Pretendemos comprar artesanato e visitar Simon’s Town. Assim que eu puder coloco os devidos links e fotos melhores neste post. Agora preciso tomar banho e dormir para acordar às 5:30.
Luanda - parte final
Hoje foi dia de se despedir. Almocei pela última vez no Panela de Barro (finalmente!) e provei a fruta que nasce do Imbondeiro, a múcua. O fruto é seco e possui um sabor leve, porém um pouco azedo. A múcua não se come, se chupa, como uma bala. É seca e derrete na boca, parecido com um suspiro.
Gostei muito de Luanda e principalmente de Angola. Gostaria de conhecer outras províncias, mas infelizmente não deu certo. Foi muito bom estar aqui e conhecer um país que é tão presente dentro do Brasil. Foi bom também conhecer um povo tão forte. Nunca vou esquecer a imagem das mulheres que carregam um filho às costas e uma bacia cheia de mangas na cabeça durante o dia todo, em um calor de 26C.
É bom ver que, apesar de qualquer dificuldade, Angola corre, não caminha. Eu desejo tudo do melhor para o país e para o povo angolano.
Luanda - parte 9
- Posso tirar uma foto do surfista?
- Sim.
- Qual é o seu nome?
- Edu.
- Você pega onda ali na praia?
- Sim.
- Tem muita gente por lá agora?
- Sim, muita gente.
- Okay…
- Duzentos kwanzas.
- Oi?
- São duzentos kwanzas.
Para resumir, dei uma de joão-sem-braço e não paguei.
Luanda - parte 8
No último domingo fomos novamente para Cabo Ledo, a praia na província do Bengo, a 120km de Luanda. Na ida tivemos um pequeno contratempo com o documento de aluguel do veículo que estávamos utilizando. O papel dizia que o aluguel já tinha vencido no fim de outubro, mas ninguém sabia disto. Na verdade o aluguel do carro havia sido prorrogado, mas o documento não foi atualizado e, é claro, só descobrimos isso depois de sermos parados pelos policiais na fronteira com a província. Dois mil kwanzas depois, prosseguimos.

Ônibus abandonado em Luanda
Desta vez pedi para descer um pouco antes e fui caminhando até o complexo turístico. A idéia era tentar fotografar um pássaro muito bonito que já tinha visto nesta estrada. Eles vivem em grupos e estão sempre repousando nas árvores e arbustos desta estrada.
Foi um pouco frustrante tentar fotografá-los com minha câmera point-and-shoot, mas consegui. E, em Curitiba, o meu irmão conseguiu identificar a espécie: Lamprotornis chalybaeus. Pena que ainda não descobri o nome popular do pássaro em Angola.
Em Cabo Ledo resolvemos caminhar até a praia dos surfistas e foi uma ótima idéia. A praia é muito bonita, com pedras enormes, aluguel de cabanas para se proteger do sol e, como era de se esperar, muitas pessoas tentando pegar onda.
Depois de voltarmos ao complexo turístico, almoçamos mal, pagamos caro e voltamos para a cidade. No caminho paramos perto do Miradouro da Lua para eu pegar a encomenda feita pelo meu irmão: um pouco de terra da África.
Amanhã o pessoal vai de novo até o Cabo Ledo, mas estou pensando em ficar em casa. Não estou com muita vontade de enfrentar viagem e praia de novo. Mas amanhã eu decido.
Também está chegando a hora de voltar para casa. Amanhã começa nossa última semana aqui e também vence o meu visto. Que a força esteja conosco.
Luanda - parte 7
- Arito, já viu algum pula* fazer xixi na rua?
- Já, já vi sim.
- Então vai ver mais um.
O João (que já deve estar em Lisboa) e o Arito (motorista) deram risada e eu desci do carro para me aliviar atrás de algumas árvores na praia.
Eu passei o domingo todo reclamando da incontinência urinária dos homens da cidade, mas acabei me rendendo no domingo passado.
O trânsito aqui é complicado, estilo cada um por si e Deus contra todos. A saída da ilha de Luanda no domingo à tarde é simlesmente infernal. Chegamos na ilha às 18:30h e já víamos a fila que se formava para deixar a ilha. Matamos um tempo no Café del Mar com a esperança de que o congestionamento diminuísse, mas não adiantou muito. Era 19:30 e tudo continuava igual.
A estrada que se usa para entrar e sair da ilha é de mão dupla e estreita. Talvez o ideal fosse apenas uma faixa em cada direção, até porque em alguns trechos os carros estacionados também disputam espaço com aqueles que estão tentando trafegar:

Mas na prática, isso não funciona. Com o grande número de veículos daqui, duas faixas para cada sentido ajudam a diminuir engarrafamentos:

O problema é que aqui tem muitos veículos e muitos motoristas com pouca paciência. Então é fácil presenciar o nascimento de uma terceira faixa no acostamento ou na linha que divide os dois sentidos. Quando algum espertinho resolve fazer isso, outros espertinhos resolvem segui-lo e o trânsito já começa a ficar bagunçado:
Dependendo do horário, é normal que um sentido esteja mais congestionado que o outro. Sair da ilha às 19h, por exemplo, é uma tarefa difícil. Mas entrar na ilha neste horário é muito tranqüilo. Por isso, em alguns momentos, a segunda faixa de algum sentido acaba desaparecendo por alguns instante. Neste momento alguns motoristas ainda mais espertinhos resolvem invadir a contra-mão e fazer o rio correr ao contrário:
E, como se não bastasse, os motoristas resolvem alternar entre as quatro faixas para tentar ganhar tempo:
E nada é tão ruim que não possa piorar. Domingo passado, por exemplo, um carro que tentava entrar na ilha se recusava a ceder a faixa invadida por um candongueiro que tentava sair da ilha. Os dois ficaram parados, um de frente para o outro, num longo teste de paciência. A quarta faixa, que nem deveria existir, já não andava mais. Assim, os espertinhos que estavam nela precisavam cortar a frente dos motoristas das outras faixas para poderem prosseguir viagem:

Adicione a este cenário motos costurando entre os carros, buzinas, gritos, vendedores ambulantes, uma ou outra confusão e você vai entender porque não consegui segurar por mais tempo. Luanda, minhas sinceras desculpas. Prometo que de agora em diante vou sempre me despedir do banheiro antes de tentar sair da ilha.
* Pula é gíria para branco.
Luanda - parte 6
Acho que o ritmo mais tocado em Luanda é o kuduro, uma espécie de “funk carioca” angolano. As músicas são bem animadas e possuem letras simples, repetitivas e bem-humoradas. O nome do ritmo vem do fato de as pessoas dançarem sem mexerem muito o quadril. Aliás, tem uma curiosidade lingüística tola e interessante: para os portugueses e angolanos, a palavra cu é usada para a representar a bunda toda, e não apenas o ânus.
Voltando ao assunto, quando fui ao Belas Shopping percebi que um CD aqui custa em média 1.500 kwanzas (cerca de 20 dólares). Nas ruas você encontra CDs piratas que não custam nem 10% deste valor. Em ambos os casos, os preços são bem parecidos com os praticados no Brasil.
Ainda não consegui comprar o álbum do MC Kapa, um rapper angolano que fiquei conhecendo através do Canal Brasil. Não encontro em lugar nenhum, nem nas lojas e nem com os putos na rua. Amanhã de manhã vou tentar em uma loja que fica perto do apartamento onde estamos hospedados. Encontrei os CDs do MC Kapa e do Brigadeiro 10 Pacotes com os meninos que vendem coisas no meio do trânsito. De qualquer forma, vou ver se não encontro os CDs originais, porque acho que valem a pena.
Por falar em hip-hop, Luanda parece ter uma cena bem legal. Já peguei MP3 de outro artista (Pai Grande, o Poeta) e fiquei com vontade de ouvir o Brigadeiro 10 Pacotes. Preciso encontrar estes CDs antes de partir.
Na terça-feira passada assistimos o show da banda congolesa Langi, no espaço Chá de Caxinde. Além de gratuito, o show foi muito bom. Acho que poucas coisas no mundo conseguem ser mais graciosas do que a dança e o canto de uma mulher africana.






















